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sábado, 29 de fevereiro de 2020

FALSA ALEGRIA (SÍNDROME DO PALHAÇO TRISTE)

“Tenho lhes dito estas palavras para que a minha alegria esteja em vocês e a alegria de vocês seja completa. (João 15,11 - NVI)

Há uma história fictícia bem interessante que passo a transcrever: um homem vai ao médico e diz que está deprimido. Afirma que a vida parece dura e cruel. Conta que se sente só em um mundo ameaçador, vago e incerto. O médico responde: “O tratamento é simples. O grande palhaço Pagliacci está na cidade; assista ao espetáculo. Isso deve animá-lo.” O homem chora bastante e diz: “Mas, doutor... eu sou o Pagliacci.”*  Tal história representa muito bem os tempos atuais, em que a falsa alegria torna-se comum em várias situações existenciais. Muitos escondem suas tristezas, tornando-se prisioneiros psicologicamente de sentimentos camuflados, o que pode trazer muita infelicidade e uma vida amarga.

No carnaval, uma festa bem popular no Brasil, essa alegria falseada vem à tona com bem mais ênfase. Certa vez, presenciei uma reportagem televisiva sobre o carnaval em uma grande cidade deste país, onde pessoas em impulsos de euforia afirmavam que estavam muito felizes e que o carnaval era uma festa maravilhosa. Comecei a meditar sobre aquilo e, como um conhecedor regular de psicologia e da certas expressões humanas, já que o corpo também fala, pude verificar exageros naquelas pessoas ao extrapolarem “alegrias acentuadas”, denotando, para um bom entendedor, que aquilo não condizia com a verdade de seus interiores.  
Alguém pode perguntar: "Mas o carnaval não traz alegria de verdade?"  
Respondemos automaticamente: "Na grande maioria dos casos, não!"  
A alegria verdadeira não vem de fora, pois, se aquilo que te faz contente não estiver mais ao teu alcance, o que ocorrerá?  
O carnaval, sem adentrarmos no fato de esta festa ser uma comemoração predominantemente pagã,** não dura mais do que quatro dias, excetuando-se as prévias e eventos repetitivos atinentes à mesma. E perguntamos: O que fica depois?  
Melancolia, decepções, traições, abatimentos, ressacas, ressentimentos, doenças sexuais, gravidez indesejada e uma grande série de problemas emocionais. Forte tal constatação? Creio que não; basta apenas um estudo mais apurado sobre as consequências desta festa.  
Por que eu notei, na citada reportagem, falsidades nas entrevistas?  
Ocorre que eu verifiquei entusiasmos involuntários e exagerados, no sentido de demonstrar uma alegria maquiada da verdade. O contentamento pessoal verdadeiro é tranquilo, sincero, notório e dissociado de “euforia forçada” e de “falsas intenções”.  
Reconhecemos uma pessoa feliz por suas atitudes quando observamos seus comportamentos rotineiros, e não especificamente no lado profissional ou em algumas circunstâncias públicas, pois, numa “atuação teatral”, ao agir como um ator na sociedade, pode camuflar o que está realmente acontecendo no âmago do coração.
Este agir falseado e teatral tem aumentado em demasia com a proliferação das redes sociais na internet. Testemunhei uma ocasião, digamos até "cômica", que foi a seguinte:
  • Estava em um determinado shopping, sentado e observando as pessoas passarem, quando uma moça me chamou a atenção. Ela caminhava entre triste e irritada e, para minha surpresa, parou, tirou um aparelho celular da bolsa e fez uma selfie de seu rosto, mudando totalmente a sua feição ao estampar um belo sorriso. Depois de tirar aquela fotografia, continuou seu trajeto com uma expressão fechada como dantes.

Amigos, onde estamos chegando? Os sentimentos estão sendo disfarçados, e muitos deles dissociados da verdade, pelo menos no campo emocional, tentando enganar os semelhantes e, o mais lamentável, a si próprios. Reconhecemos que, neste mundo, não temos como ter alegria com frequência, mas o grande problema é quando uma tristeza permanente toma conta do ser, onde muitos dissimulam as emoções, mostrando aquilo que não é verídico e, em alguns casos, tornando-se reféns de doenças psicossomáticas advindas de descontroles emocionais. 

Admitir, acatar e respeitar as emoções, sejam elas boas ou más, é um comportamento saudável e salutar para que possamos elaborar uma maturidade correta. Demonstrar alegria quando estamos sofrendo é prejudicial à alma, pois, além de esconder o sofrimento, mostrará a outrem que não precisamos de socorro. Cuidado com esta postura, para que você não se torne um “Palhaço Triste”, como o descrito na narrativa introdutória do texto. 
Enfim, onde buscar a alegria verdadeira?
A Bíblia prontamente responde: “Feliz é aquele que confia no Senhor” (Provérbios 15.20b – Nova Versão Internacional). Não teremos felicidade se de Deus não recebermos esta porção do seu inesgotável amor. Felicidade e alegria atreladas ao mundo não terão uma base sólida, pois, como já foi explanado: o que será de uma pessoa se aquilo que lhe dá mais alegria não estiver mais próximo ou tiver definitivamente saído de sua presença?
A alegria que vem do Senhor é intensa, única, graciosa, especial e serena, e não está vinculada às circunstâncias existenciais. A paz que excede todo o entendimento (Filipenses 4:7) guarda o coração daquele que confia nos propósitos de Deus. Procure a alegria no local correto: nos braços de Deus; pois, assim, terás um extraordinário e evidente contentamento que nunca poderá advir de fonte humana. O vazio da alma humana só quem preenche é Deus, e a alegria que o Altíssimo nos oferece é única e inteiramente verdadeira. Portanto: “Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: alegrem-se!” (Filipenses 4:4)".

______________

* Personagem Rorschach. Série Watchmen – De Alan Moore.

** Ímpia, profana, descrente.

4 comentários:

  1. Concordo, infelizmente TD que está escrito é a mais pura verdade existe milhões de pessoas que vivem de ilusões, fantasias o que vemos muitos casais vive de aparência pra sociedade demostra uma felicidade calça. Como a moça que tirou sua selfie, outross vão ao shopping fazer compras, barzinhos, tomar TDS pra esquecer os problemas como falam na verdade não são sinceras com elas mesmas. São pessoas, carentes de amor, atenção da família muitos entra em uma depressão horrível que não escolhe idade. Só existe uma solução JESUS é que nós fortalece,nos renova, nós restsura nos liberta, nós cura e nos salva. Teclado com problemas.

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  2. Concordo plenamente, e, só para se ter uma ideia como é difícil a situação--' sem alarmismo - aq estatística no Brasil, apenas de DEPRESSÃO era de 12% antes da pandemia, isso equivale cerca de 22 MILHÕES de pessoas, apenas depressão, se somar- outras tantas síndromes imagina.

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  3. Excelente 👏👏👏

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