Há uma
história fictícia bem interessante que passo a transcrever: um homem vai ao
médico e diz que está deprimido. Afirma que a vida parece dura e cruel. Conta
que se sente só em um mundo ameaçador, vago e incerto. O médico responde: “O
tratamento é simples. O grande palhaço Pagliacci está na cidade; assista ao
espetáculo. Isso deve animá-lo.” O homem chora bastante e diz: “Mas, doutor...
eu sou o Pagliacci.”* Tal história representa muito bem os
tempos atuais, em que a falsa alegria torna-se comum em várias situações
existenciais. Muitos escondem suas tristezas, tornando-se prisioneiros
psicologicamente de sentimentos camuflados, o que pode trazer muita
infelicidade e uma vida amarga.
No
carnaval, uma festa bem popular no Brasil, essa alegria falseada vem à tona com
bem mais ênfase. Certa
vez, presenciei uma reportagem televisiva sobre o carnaval em uma grande cidade
deste país, onde pessoas em impulsos de euforia afirmavam que estavam muito
felizes e que o carnaval era uma festa maravilhosa. Comecei a meditar sobre
aquilo e, como um conhecedor regular de psicologia e da certas expressões
humanas, já que o corpo também fala, pude verificar exageros naquelas pessoas
ao extrapolarem “alegrias acentuadas”, denotando, para um bom entendedor, que
aquilo não condizia com a verdade de seus interiores.
Alguém
pode perguntar: "Mas o carnaval não traz alegria de
verdade?"
Respondemos
automaticamente: "Na grande maioria dos casos, não!"
A alegria
verdadeira não vem de fora, pois, se aquilo que te faz contente não estiver mais
ao teu alcance, o que ocorrerá?
O
carnaval, sem adentrarmos no fato de esta festa ser uma comemoração
predominantemente pagã,** não dura mais do que quatro dias, excetuando-se
as prévias e eventos repetitivos atinentes à mesma. E perguntamos: O que fica
depois?
Melancolia,
decepções, traições, abatimentos, ressacas, ressentimentos, doenças sexuais,
gravidez indesejada e uma grande série de problemas emocionais. Forte tal
constatação? Creio que não; basta apenas um estudo mais apurado sobre as consequências
desta festa.
Por que
eu notei, na citada reportagem, falsidades nas entrevistas?
Ocorre
que eu verifiquei entusiasmos involuntários e exagerados, no sentido de
demonstrar uma alegria maquiada da verdade. O contentamento pessoal verdadeiro
é tranquilo, sincero, notório e dissociado de “euforia forçada” e de “falsas
intenções”.
Reconhecemos
uma pessoa feliz por suas atitudes quando observamos seus comportamentos
rotineiros, e não especificamente no lado profissional ou em algumas
circunstâncias públicas, pois, numa “atuação teatral”, ao agir como um ator na
sociedade, pode camuflar o que está realmente acontecendo no âmago do coração.
Este agir falseado e
teatral tem aumentado em demasia com a proliferação das redes sociais na
internet. Testemunhei uma ocasião, digamos até "cômica", que foi a
seguinte:
- Estava
em um determinado shopping, sentado e observando as pessoas passarem, quando
uma moça me chamou a atenção. Ela caminhava entre triste e irritada e, para
minha surpresa, parou, tirou um aparelho celular da bolsa e fez uma selfie de
seu rosto, mudando totalmente a sua feição ao estampar um belo sorriso. Depois
de tirar aquela fotografia, continuou seu trajeto com uma expressão fechada
como dantes.
Amigos,
onde estamos chegando? Os sentimentos estão sendo disfarçados, e muitos deles
dissociados da verdade, pelo menos no campo emocional, tentando enganar os
semelhantes e, o mais lamentável, a si próprios. Reconhecemos que, neste mundo, não temos como ter
alegria com frequência, mas o grande problema é quando uma tristeza permanente
toma conta do ser, onde muitos dissimulam as emoções, mostrando aquilo que não
é verídico e, em alguns casos, tornando-se reféns de doenças psicossomáticas
advindas de descontroles emocionais.
Admitir,
acatar e respeitar as emoções, sejam elas boas ou más, é um comportamento
saudável e salutar para que possamos elaborar uma maturidade correta.
Demonstrar alegria quando estamos sofrendo é prejudicial à alma, pois, além de
esconder o sofrimento, mostrará a outrem que não precisamos de socorro. Cuidado
com esta postura, para que você não se torne um “Palhaço Triste”, como o
descrito na narrativa introdutória do texto.
Enfim,
onde buscar a alegria verdadeira?
A Bíblia
prontamente responde: “Feliz é aquele que confia no Senhor” (Provérbios 15.20b
– Nova Versão Internacional). Não teremos felicidade se de Deus não recebermos
esta porção do seu inesgotável amor. Felicidade e alegria atreladas ao mundo
não terão uma base sólida, pois, como já foi explanado: o que será de uma
pessoa se aquilo que lhe dá mais alegria não estiver mais próximo ou tiver
definitivamente saído de sua presença?
A alegria
que vem do Senhor é intensa, única, graciosa, especial e serena, e não está
vinculada às circunstâncias existenciais. A paz que excede todo o entendimento
(Filipenses 4:7) guarda o coração daquele que confia nos propósitos de Deus.
Procure a alegria no local correto: nos braços de Deus; pois, assim, terás um
extraordinário e evidente contentamento que nunca poderá advir de fonte humana.
O vazio da alma humana só quem preenche é Deus, e a alegria que o Altíssimo nos
oferece é única e inteiramente verdadeira. Portanto: “Alegrem-se sempre no
Senhor. Novamente direi: alegrem-se!” (Filipenses 4:4)".
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* Personagem Rorschach. Série
Watchmen – De Alan Moore.
** Ímpia, profana, descrente.
Concordo, infelizmente TD que está escrito é a mais pura verdade existe milhões de pessoas que vivem de ilusões, fantasias o que vemos muitos casais vive de aparência pra sociedade demostra uma felicidade calça. Como a moça que tirou sua selfie, outross vão ao shopping fazer compras, barzinhos, tomar TDS pra esquecer os problemas como falam na verdade não são sinceras com elas mesmas. São pessoas, carentes de amor, atenção da família muitos entra em uma depressão horrível que não escolhe idade. Só existe uma solução JESUS é que nós fortalece,nos renova, nós restsura nos liberta, nós cura e nos salva. Teclado com problemas.
ResponderExcluirConcordo plenamente, e, só para se ter uma ideia como é difícil a situação--' sem alarmismo - aq estatística no Brasil, apenas de DEPRESSÃO era de 12% antes da pandemia, isso equivale cerca de 22 MILHÕES de pessoas, apenas depressão, se somar- outras tantas síndromes imagina.
ResponderExcluirMaravilhoso
ResponderExcluirExcelente 👏👏👏
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