O juiz é um cidadão investido de autoridade pública, com o poder de exercer a atividade jurisdicional, julgando os conflitos de interesses submetidos à sua apreciação. Julgar é um ato de enorme complexidade e, ao mesmo tempo, sublime. Juízes neste país, principalmente os de primeira instância,* são aprovados em concursos dificílimos. Eles são agraciados com uma dádiva impressionante, porém, com uma alta responsabilidade.
- Pouco tempo depois de receber a graça da Sabedoria, apresentaram-se duas mulheres ao Rei Salomão. Uma disse: "Senhor, eu e esta mulher habitávamos na mesma casa. Durante a noite, estando a dormir, ela sufocou o filho e, aproveitando-se do meu sono, pôs o meu filho adormecido junto de si e colocou aos meus pés o seu filho que estava morto. De manhã, olhando de perto para ele, vi que não era o meu filho". A outra mulher interrompeu: "Não, o meu filho é o que está vivo, o teu morreu". A primeira replicou: "Não, o teu é que morreu. O que está vivo é meu". E continuaram a disputar. Então o rei disse: Trazei uma espada, dividi em duas partes o menino que está vivo e dai metade a cada uma!". Cheia de amor ao seu filho, à mulher cujo filho estava vivo suplicou: "Senhor, peço-vos que lhes deis a ela o menino vivo e não o mateis!". A outra, pelo contrário, dizia: "Não seja para mim nem para ti, mas divida-se". Então Salomão disse: "Dai a primeira o menino vivo porque é ela a verdadeira mãe". E assim todo o povo de Israel soube que a sabedoria de Deus assistia ao rei para julgar com retidão.
Na narrativa, é evidenciada uma grande sabedoria. Salomão impressionava pela sapiência; contudo, devemos atestar que esse conhecimento foi herdado de Deus (1 Reis 3.5-15). Nenhum homem por mais dotado que fosse, seria capaz de um julgamento dessa magnitude. Deus ofertou graciosamente a sabedoria e a perspicácia necessárias para que Salomão procedesse da forma que procedeu.
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*A primeira instância é a primeira jurisdição hierárquica; o primeiro órgão da Justiça ao qual o cidadão deverá dirigir um pedido de solução de conflito.
Muito bom, Geraldo! Parabéns pelo texto. Abraço!
ResponderExcluirObrigado Dr. Fabrício Meira.
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