Em tempos
idos, seja pessoalmente ou por qualquer tipo de contato, refutava sempre que
ouvia ou lia algo a meu respeito que não gostasse. Era daqueles que não levava
desaforo para casa, muito embora nunca perdesse o controle ou revidasse
agressivamente. Geralmente, só manifestava o desagrado com aquilo que me incomodava.
Ocorre que, com o passar dos
anos, amparado nas experiências existenciais, descobri um "PODER"
interessante e significativo: o SILÊNCIO. Desta forma, desenvolvi a compreensão
particular de que, ao calar em algumas situações, me ajudaria em muito, como de
fato assim se sucedeu. Assimilei que, ao não responder a algumas críticas, pelo
menos as que não precisavam ser contestadas, acabava logo a conversa, o que
evitaria maiores controvérsias. Sim, pois, ao dar uma simples resposta
discordante, poderia ser justamente isso que o "Provocador" quisesse
para a desarmonia imperar. E ao silenciar, colocava um "ponto final"
em algo que poderia desembocar em um forte desentendimento, quando não
enveredasse para algo ainda mais sério.
Por outro lado, no aspecto psicológico
e especialmente no espiritual, constatei a força do silêncio nas relações
humanas. Sucede que, em sua grande maioria, os indivíduos estão acostumados ao
"contraditório", e quando alguém cala, não respondendo a uma
recriminação, o outro fica sem entender o ato em si, mantendo-se cheio de
dúvidas. Ou seja, a pessoa fica atônita, não compreendendo a razão do
silêncio.
Posto
isto, duas consequências podem advir após tomarmos a simples atitude de
silenciar:
- A
controvérsia cessará, sem maiores complicações;
- E o
agente acusador ficará sem interpretar o que estamos pensando, ficando com
"uma pulga atrás da orelha"*, e, na maioria das vezes, não conseguirá
discernir a circunstância.
O
silêncio evita muitos embaraços, entre eles as conversas desconexas, que, na
maioria das vezes, não levam a nada. Não entendam aqui que sou contra diálogos.
Jamais! Pois é ótimo conversar, principalmente os bate-papos sadios. O que
defendo aqui é o silêncio em algumas circunstâncias, tais como fofocas e
falatórios inconsequentes, bem como não responder aos argumentos que, nas
entrelinhas**,
contenham uma intenção provocatória.
Alguém
pode questionar: como saber se uma conversa possui tons provocatórios?
Pela
essência do diálogo e, principalmente, pela reincidência de atitudes. A vida
ensina que, quando alguém intenta irritar o semelhante, tal fato se repetirá.
E, na repetição frequente, terás todos os dados suficientes para o entendimento
do contexto. Daí, o teu silêncio, além de reflexivo, transmitirá uma
"resposta" para qualquer pessoa de inteligência, ao menos, mediana. E
o causador da controvérsia terá duas alternativas a tomar:
1.Mudar de
comportamento contigo;
2.Ou se
afastar de tua convivência, pois o teu silêncio demonstrará que o cenário não
está adequado para nenhum dos dois.
O silêncio, neste
caso, despertará o entendimento de que você mudou. E isso fará com que você
seja respeitado, que possam mudar de atitudes contigo e que entendam, de uma
vez por todas, que não reagirás mais às provocações. Compreenda também que você
pode até não entender o motivo de alguém te provocar no presente, mas acredite
que: "Não há nada encoberto que não venha a ser revelado, nem oculto que
não venha a ser conhecido" (Lucas 12.2).
Assim, exercite
"O Poder do Silêncio", pois, infelizmente, com certas pessoas,
especialmente as conflituosas, o melhor a fazer é: CONFUNDIR COM O SILÊNCIO E
SURPREENDER COM AS AÇÕES.
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*Significa que a pessoa está
desconfiada de algo, de algum gesto ou atitude não usual de outrem.
**Sentido implícito, dedução,