Antes de adentrarmos no cerne da publicação
"CORNÉLIO – O CENTURIÃO GENTIO QUE, PELA FÉ, AGRADOU A JESUS", duas
conceituações são por demais necessárias a respeito das palavras
"Centurião" e "Gentio".
Centurião era o chefe ou comandante na antiga Roma
de uma subdivisão da legião romana, constituída de cem homens. O centurião era
responsável por manter a ordem, prestando serviços judiciais, administrativos e
tributários. A figura do centurião aparece com frequência no Novo Testamento,
em alguns textos.
Já o
termo “Gentio” designava um não israelita e deriva do latim "gens"
(significando clã ou um grupo de famílias). Os tradutores da Bíblia usaram esta
palavra para designar coletivamente os povos e nações distintos do povo
israelita. O termo "gentio" é especialmente importante em relatos
sobre a história do cristianismo, para designar os povos europeus que,
gradualmente, se converteram à nova religião sob a influência do apóstolo Paulo
de Tarso e outros. O próprio Paulo nasceu na atual Turquia, mas tinha sido
educado no judaísmo. Em síntese, gentios são todas as pessoas que não pertencem
ao povo judeu. Nos livros bíblicos de Mateus 8.5 a 10 e Lucas 7.1 a 10, está
descrito um episódio bem interessante da vida de Jesus. Aqui, transcreveremos
os versículos bíblicos de Lucas 7.1-10 para que a fé de um homem sirva de
exemplo para todos nós:
- Tendo
terminado de dizer tudo isso ao povo, Jesus entrou em Cafarnaum.* Ali estava doente, quase à morte, o servo de um centurião, a quem seu senhor
estimava muito. Ele ouviu falar de Jesus e enviou-lhe alguns líderes religiosos
dos judeus, pedindo-lhe que fosse curar seu servo. Chegando-se a Jesus,
suplicaram-lhe com insistência: "Este homem merece que lhe faças isso,
porque ama a nossa nação e construiu a nossa sinagoga." Jesus foi com
eles. Já estava perto da casa quando o centurião mandou amigos dizerem a Jesus:
"Senhor, não te incomodes, pois não mereço receber-te debaixo do meu teto.
Por isso, nem me considerei digno de ir ao teu encontro. Mas dize uma palavra e
o meu servo será curado. Pois eu também sou homem sujeito à autoridade, e com
soldados sob o meu comando. Digo a um: Vá, e ele vai; e a outro: Venha, e ele
vem. Digo a meu servo: Faça isto, e ele faz." Ao ouvir isso, Jesus
admirou-se dele e, voltando-se para a multidão que o seguia, disse: "Eu
lhes digo que nem em Israel encontrei tamanha fé." Então, os homens que
haviam sido enviados voltaram para a casa e encontraram o servo estabelecido.
Após esta narrativa admirável, podemos tecer
alguns comentários sobre aspectos deste acontecimento; senão, vejamos:
1. HIERARQUIA, AUTORIDADE E DISCIPLINA:
O centurião sabia muito bem como dar e
receber ordens. Era o oficial responsável pelo comando de uma centúria, onde
indicava as diretrizes que deveriam ser obedecidas, encarregando-se da
disciplina e instrução da legião. Dessa forma, ele conhecia e obedecia à
hierarquia. Era experiente nessa situação, sabendo respeitar e ser respeitado.
Quando nos subordinamos a um superior, isso automaticamente faz com que o senso
de equilíbrio e respeito tome conta do nosso ser, pois, como bem preceitua o
provérbio português: "Quem não sabe obedecer, não sabe mandar." O centurião,
pelos olhos da fé, observou que tudo e todos obedeciam a Jesus, e assim
procedeu no seu ousado e correto ato de confiança no Deus Todo-poderoso.
2.CAPACIDADE DE LUTA:
Na maioria das vezes, as legiões estavam
distantes da pátria romana. Assim, o centurião era escolhido pela sua
capacidade de comando e pela prontidão em lutar até a morte. Este homem, então,
sabia o que era pelejar. Demonstra-se na narrativa que o centurião estava
preocupadíssimo com a saúde do servo. O comandante demonstrou total senso de
intrepidez e não descansou enquanto não chamou a atenção de Jesus. Com este
exemplo, devemos imitar o que é bom e lutar pela consecução dos nossos maiores
objetivos. Isso pode ser em relação à vida profissional, social e especialmente
na busca pela cura física ou espiritual. As batalhas da vida são duras e, desse
modo, a capacidade de luta deve ser inteiramente proporcional às dificuldades.
3. ALTRUÍSMO:
Altruísmo é o sentimento de interesse e
dedicação por outrem. O centurião demonstrou abnegação pela vida do semelhante
quando se preocupou com a doença do seu servo. Ele se mostrou solícito ao
sofrimento alheio, já que intercedeu junto a Jesus por uma cura milagrosa para
uma pessoa que nem de sua família era. O centurião cuidou do humilde servo e,
com sua fé, chamou a atenção do SENHOR de tal forma que conseguiu o que queria.
4. FÉ:
Jesus considerou o centurião um modelo de fé
quando afirmou que não tinha encontrado em Israel uma pessoa de tamanha crença.
Verificamos que, no texto bíblico, o centurião jamais teve dúvidas de que Jesus
agiria. Ele confiou plenamente que Cristo tinha um poder acima da compreensão
humana. Na definição consignada em Hebreus 11:1, observa-se que a FÉ é a
certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos. É importante
não esquecermos que, sem fé, é impossível agradar a Deus. Quando demonstramos a
nossa convicção, dissociada de qualquer tipo de desconfiança, certamente Jesus
honrará esse sentimento e fará proezas.
5. JESUS
TAMBÉM VEIO PARA OS GENTIOS:
É bem verdade que a missão original de Jesus
foi para os judeus. Como também é correto afirmar que ele não negligenciou os
gentios. Ele curou a filha da mulher siro-fenícia (Marcos 7:24-30) e pregou
para a mulher samaritana (João 4).
Ele afirmou aos discípulos que a obra a ser
realizada por intermédio deles iria alcançar os gentios (João 10:16), com a
importante incumbência de que eles fizessem "discípulos de todas as
nações" (Mateus 28:18-20). O centurião gentio confiou que poderia usufruir
das benesses, aparentemente destinadas aos judeus. Ele nem questionou esse
aspecto e procurou Jesus sem se preocupar com qualquer tipo de comentário
contrário. É uma história exemplar que mostra o cuidado de JESUS para com todos
que o seguem verdadeiramente, independentemente de nacionalidade ou raça. O
Senhor aceita a todos que o procuram, e assim aconteceu com este centurião, que
procurou o mestre e recebeu o que tanto almejava.
6. O PODER E A CURA
ESTÃO EM JESUS:
O centurião discerniu em Jesus a verdadeira e
maior força espiritual e que o Senhor tinha poder total sobre qualquer mal.
Baseado nisso, ele teve consciência da divindade de Cristo.
Este homem, como um comandante romano, devia
ser alguém acostumado a grandes batalhas. Dessa forma, não seria difícil para o
romano reconhecer um grande poder quando estava próximo dele. Por outro lado,
torna-se evidente que ele também ouviu falar das curas efetuadas por Jesus
Cristo. O gentio, com esperança e uma fé destemida, confiou nos prodígios do
SENHOR. Para que uma cura miraculosa acontecesse, foi um passo, e o seu servo
sarou da enfermidade. A história deste centurião é bem conhecida no meio
cristão, especialmente por uma boa razão: "É um exemplo prático de fé e de
como ela deve ser exercitada.
Ao examinarmos esta história detidamente,
podemos tirar cinco características admiráveis do centurião, que eram:
- Ele se preocupava com os mais inferiores e
também não era orgulhoso de sua posição.
- Ele reconhecia a sutil diferença entre
poder e autoridade, já que ele mandava na sua centúria, mas reconheceu que só
Jesus tinha o domínio total sobre qualquer enfermidade.
- Ele exercia a sua obrigação com confiança e
convicção.
- Ele
discerniu a verdadeira autoridade sobrenatural na figura de Cristo.
- Ele
acreditou que uma palavra de Jesus mudaria qualquer situação.
Esta
narrativa impressiona e, até aquele momento, no que tange a uma demonstração de
fé, não tinha parâmetro de comparação, já que o próprio Jesus declarou:
"Que ainda não tinha visto fé como aquela." Tal relato nos influencia
a ter uma crença prática e entusiasmada em Cristo.
A fé
deste centurião deve ser aplicada em qualquer caminhada cristã, pois o Senhor
alegra-se com aqueles que o obedecem e dependem do seu auxílio. O importante é
que Jesus se agradou do centurião.
Assim,
devemos imitar o bom, e como será fascinante adequar a nossa vida à fé deste
homem, pois este texto deixa uma grande lição, que é uma soma vitoriosa e
recompensadora: fé + Jesus Cristo = cura.
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* Cafarnaum é uma
cidade citada na Bíblia especialmente em conexão com o ministério de Jesus. Nos
dias do Novo Testamento Cafarnaum tinha certa importância. O nome Cafarnaum
muito provavelmente significa “aldeia de Naum”, uma variante grega do hebraico
kefarnahum. Como Naum significa “compassivo”, Cafarnaum também pode significar
“vila de compaixão”.