Nenhum amor humano pode sobrepujar aquele emanado de uma fonte divina. Como um Ser tão esplêndido pode ser tão amoroso, quando a humanidade só merecia o abandono, pois todos pecam ou pecaram contra Deus. O homem, desde os primórdios dos tempos, contraria o Senhor, e Ele permanece disposto a recebê-lo, com seus braços abertos, pronto a perdoar os erros e determinado a colocar o amor "gracioso" à disposição de um indivíduo que, muitas vezes, intenta contra os desígnios divinos, face a uma condição notadamente pecaminosa.
O Amor do Senhor é
tão intenso que constrangeu Paulo (1 Coríntios 5.14a), pois não se viu
merecedor de tão carinhoso afeto. O homem desobedece a Deus pela manhã, pede
perdão e, de noite, incorre no mesmo erro. Ainda bem que Deus não desiste de
nós e oferece a sua clemência quando achamos que não merecemos, e, dessa forma,
o Senhor nos desafia a mudarmos nossas atitudes.
Davi
compreendeu isso muito bem quando pecou por ocasião do "Recenseamento de
Israel"*
e não quis passar por julgamento humano, pois, para ele, só Deus exerceria misericórdia
na mais alta escala, já que só o Altíssimo saberia tratar o pecado dele
adequadamente. Nós só perdoamos porque Deus nos capacita para tal, e, mesmo
assim, não sabemos exercer o perdão na plenitude em que o Senhor sabe
concretizar.
Aleluia
pela suprema aptidão divina em aceitar o arrependimento, e a Ele damos graças
pelo perdão tão maravilhoso. Como é bom permanecer ao lado de um Deus benigno
que, apesar de nossas falhas e propensão para o mal, não nos abandona.
Não faço
o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico (Romanos 7.19), e,
mediante tal constatação, devemos obedecer aos mandamentos divinos,
reconhecendo que, se somos valorosos, é justamente porque o Senhor nos capacita
e nos fortalece.
Só amamos
porque Deus nos amou primeiro (1 João 4.14), com um amor que excede toda a
compreensão humana. Comentar
sobre essa afeição profunda com precisão não nos é possível, já que não temos a
compreensão total de um Deus que é enigmático, mas também simples e prático
quando o assunto é AMOR. Só podemos exaltar esse Deus, que nos compreende
perfeitamente, quando o semelhante não nos entende. Devemos aceitar este amor
paternal e louvar o seu Santo e Poderoso nome, rejubilando-nos numa satisfação
que tanto nos beneficiará e fortalecerá. Um amor que não devemos abandonar por
qualquer coisa que o mundo ofereça em troca, já que toda fortuna aqui
encontrada não vale a menor porção da afeição divina. É um amor cativante e
motivador que, mesmo na noite mais tenebrosa, onde estamos para baixo, nos garante
que o amanhecer seguinte será reluzente e que venceremos, pois Deus estará ao
nosso lado.
Assim,
o amor do SENHOR nos constrange, influenciando fortemente para que possamos
também amá-lo na mesma intensidade. Este constrangimento ocorre justamente por
nos sentirmos envergonhados, pois não merecíamos um amor tão precioso. Quando
olhamos para a cruz, compreendemos definitivamente a realidade de um sentimento
tão SUBLIME.
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*Davi respondeu: "É grande a minha angústia! Prefiro cair nas mãos do SENHOR, pois grande é a sua misericórdia, a cair nas mãos dos homens." (2 Samuel 24.14)

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