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domingo, 6 de setembro de 2026

INTUIÇÃO

Há poucos dias, passei por uma experiência curiosa, mas também um pouco estressante. Ao me dirigir para minha residência pelo caminho que costumo trafegar, em determinado momento, uma voz interior me aconselhou a ir por outro itinerário. Ocorre que isso aumentaria em poucos metros a distância percorrida, o que não me atrasaria em quase nada. Só que não atendi à sugestão do coração. Para quê? Ao continuar no itinerário rotineiro, um rapaz que parecia um “guardador de carros”, visivelmente transtornado, parou o automóvel na minha frente, interrompendo todo o trânsito e indicando que iria resolver um problema no estacionamento de um banco. O problema é que havia vários carros atrás de mim que começaram a buzinar em consonância. E o rapaz nem aí, e o meu receio era que ele quisesse descontar em mim, por ser o mais próximo dele, a contenda pública que o ato de insanidade dele estava proporcionando. Passado um bom tempo, ele tirou o carro da frente e continuei no meu trajeto, lamentando por não ter atendido à “ADVERTÊNCIA INTERIOR”, que podemos aqui declinar como a famosa INTUIÇÃO, ou melhor ainda, a voz divina bradando: "Não vá por aí."

Pois bem, intuição é a capacidade de entender ou decidir algo de forma rápida e direta. Ela aparece como um “aviso” ou um palpite interno, que pode ser derivado de memórias e padrões comportamentais. A intuição é um tema enigmático que fascina psicólogos, religiosos, filósofos e até aqueles que nada compreendem sobre o tema.
Sabe aquele pensamento de que algo não vai dar certo?  
Se você possui essa sensação e realmente acontece, pode ter uma capacidade admirável de intuir determinadas coisas.
Pela intuição, possuímos a aptidão de compreender, julgar ou sentir algo de maneira imediata. Embora não seja considerada uma verdade absoluta, a intuição tende a ser útil em muitos casos.
É evidente que a “intuição” não pode ser baseada tão somente nas emoções, mas em uma combinação vitoriosa, onde entram a inteligência emocional, o sentimento, a razão e as experiências existenciais. Por isso, muito embora existam jovens intuitivos, esse instinto é mais constante entre pessoas com maturidade mais acentuada e elevada.
Quando não temos um maior tempo para decidir pacientemente, devemos escutar o coração, como no caso de suspeitar sobre um determinado caminho. Nesta situação, ore e escute o que Deus colocar no seu coração. Se sentir que deve mudar de trajetória, faça isso imediatamente. Não se lance de peito aberto* no itinerário, quando a intuição de “não” piscar fortemente no seu interior. Aquela cisma de algo, nem sempre explicada à luz da razão, tem livrado muitos de perigos.
Enfatizo que, quando se tratar de uma decisão mais séria, só a suspeita não deve se estabelecer, notadamente se você tiver um maior tempo para a deliberação. Todavia, a intuição deve ser levada também em consideração.
A intuição não é magia, mas um mecanismo natural de alerta, como o reconhecimento de certos padrões da mente humana. E essa intuição surge, às vezes, com uma forte inquietação, antes até mesmo de a razão distinguir totalmente a situação. Daí, o cérebro examina a conjuntura e junta as experiências vivenciadas em instantes. Há momentos em que estamos passando por um dilema que exige uma rápida decisão. Aí nos perguntamos: “Devo confiar no que estou sentindo ou no que analiso pela razão?” Como já amplamente externado, se a decisão tiver que ser rápida, confie na intuição, desde que logicamente não te traga maiores dissabores ou um forte arrependimento. Intuir sim, mas se prejudicar não.
Por outro lado, quando abordamos a intuição à luz da Bíblia, tal termo não é usado no sentido moderno da psicologia, mas descreve conceitos paralelos, como aquela voz do coração, o testemunho do espírito e o discernimento espiritual concedido por Deus ao indivíduo. Esta explicação torna-se imprescindível, pois, mesmo para alguém que já seja instintivo desde jovem, a intuição (discernimento) aumentará ainda mais quando o relacionamento com Deus se consolidar.
O livro bíblico de Jó 38:38 menciona que Deus coloca sabedoria e entendimento no coração do homem. O Espírito Santo orienta os pensamentos e as decisões daquele que crê, e isso advirá com paz interior e clareza. Desta forma, qualquer impulso ou voz interior torna-se necessário entrar em concordância com aquilo que é bíblico.
Assim, ao passares por momentos em que a intuição (chame-a como quiser) é necessária, faça aquela oração rápida a Deus, que efetivamente te mostrará o que deves fazer, não esquecendo que:
  • A verdadeira direção do Senhor traz paz e não confusão e medo (Filipenses 4:7);
  • Decisões importantes não devem se basear tão somente em impressões solitárias, mas também no recebimento de conselhos sábios (Provérbios 15:22). 

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*A expressão "não se lance de peito aberto" é um conselho de prudência. Ela significa não agir por impulso, sem proteção ou sem avaliar os riscos antes de entrar em uma situação.

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