Em alguns dos meus escritos,
gosto de mostrar a origem etimológica do termo chave da publicação, para
evidenciar o contexto principal de seu significado. A palavra
"decepção" tem sua origem no latim "DECEPTIO", que
significa 'empulhação, dolo, engano'. O vocábulo latino, por sua vez, vem de
"DECIPERE" (prejudicar, enganar algo/alguém) - formado pelo prefixo
'DE' (fora) e pelo radical 'CAPERE' (pegar, agarrar, tomar).*
Confesso que desconhecia a
origem, bem como a verdadeira intenção deste vocábulo, pois me limitava a
distinguir o sentido de decepção como sendo um desapontamento com algo ou
alguém, inerente a alguma mágoa, desilusão ou desgosto. No entanto, é bem mais
séria e abrangente a essência desta palavra, pois a decepção traz em seu âmago
uma grande ilusão, relativa ao que muitas vezes está escondido, porém
existente, muito embora não totalmente discernido.
Após esta elaborada conceituação,
assimilamos que a decepção, quando se trata evidentemente na área pessoal, pode
ser uma surpresa para o agente receptor, ao passo que, para o sujeito ativo, já
pode estar em seu íntimo um sentimento nefasto em relação a outrem, e em certo
momento tal ato se concretizará externamente, com forte dano emocional para
aquele que confia integralmente na cordialidade das relações.
Devemos entender que a nossa
reação a certos desapontamentos terá muita força na defesa contra os seus
efeitos. Cabe-nos tão somente compreender os contratempos existenciais e tomar
as atitudes corretas para vencer uma decepção.
Quando acontecer a decepção, é
necessário possuirmos algumas convicções; senão vejamos:
1. AS
FRUSTRAÇÕES AUMENTAM A EXPERIÊNCIA:
"Ensina-nos
a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria" (Salmo
90.12).
Há uma frase bem interessante de
Friedrich Nietzsche que estabelece: "Aquilo que não me destrói, me
fortalece", e que exemplifica muito bem como deve ser a nossa reação
frente a uma decepção ou qualquer tipo de adversidade.
A sabedoria resultará do temor
reverencial a Deus, bem como de alguns aprendizados existenciais. Quando
sofremos desapontamentos, passamos a visualizar relações ou situações de uma
forma mais apurada e, desta maneira, evitamos contrariedades futuras nessas
áreas.
2. DEVEMOS USAR O DOM DO
DISCERNIMENTO:
"Os propósitos do coração do
homem são águas profundas, mas quem tem discernimento os traz à tona"
(Provérbios 20.1).
Em nossas relações, regularmente
não usamos o dom do discernimento, em razão de dois fatores preponderantes:
- Por não
acharmos necessário, já que muitas vezes confiamos totalmente em nossas
convicções pessoais;
- Por
acreditarmos no semelhante, sem testar sua verdadeira personalidade à luz da
realidade.
Pelo discernimento, fazemos a
distinção entre várias coisas, através de critérios, escolhas e reflexões. No
discernimento real, temos a sapiência para compreender o que é certo ou errado.
E, para possuirmos esta qualidade, devemos procurar uma maior comunhão com
Deus, fazendo a sua vontade e, como consequência, receberemos este dom com
convicção espiritual.
Ao usarmos o discernimento
acertadamente, poderemos distinguir comportamentos, visualizando com o coração
o que está bem escondido na vida de outrem ou em muitos contextos vivenciais.
Usar a capacidade de discernimento é necessário, no intuito de identificar,
antecipadamente, situações decepcionantes que possam nos afligir.
3. DEVEMOS ENTENDER A
FALIBILIDADE HUMANA:
"Porque todos tropeçamos em
muitas coisas" (Tiago 3.2a).
Somos humanos e, nesta condição,
somos passíveis de erros. Algumas vezes, fazemos algo que não queremos. Por
nossa condição falha, chegamos a praticar tolices, como decepcionar o
semelhante.
Quando
compreendemos nossas limitações, passamos a não exigir muito do outro, pois
muitas vezes também falhamos.
Um sentimento de afeição muito
intenso, às vezes, cega um entendimento equilibrado e, desse modo, não agimos
com a prudência devida. Então, de uma vez por todas, compreendamos que o homem
é falho e, nesta percepção, evitaremos maiores desencantos.
4. EVITAR COLOCAR TODOS OS
ANSEIOS NAS PESSOAS OU NAS COISAS:
"Bendito o homem que confia
no Senhor, e cuja confiança é o Senhor" (Jeremias 17.7).
Ao compreendermos melhor o gênero
humano e algumas situações desta vida, passaremos a não colocar todos os nossos
anseios em pessoas ou em coisas. Uma pessoa que se diz amiga age sempre
coerentemente conosco e, em determinados momentos, nos decepciona. Que desconforto!
Como ficaremos emocionalmente nesta circunstância?
Chateados,
sim, mas não desanimados; porquanto, só Deus merece nossa confiança total, e
Ele nos ajudará a superar.
Por mais
que uma pessoa nos trate bem ou que um determinado contexto esteja posicionado
a nosso favor, não devemos colocar todas as aspirações no controle de alguém ou
em uma situação. Ao pensarmos assim e confiando no Senhor, teremos um melhor
fim e não seremos confundidos (Romanos 10.11).
5. DEUS NOS AJUDA A SUPERAR OS DESAPONTAMENTOS:
"Deus é nosso refúgio e a
nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade" (Salmos 46.1).
Após uma
contundente decepção, encontraremos o devido refrigério nos braços do Senhor.
Ele sempre permanece à nossa disposição para juntar os cacos** de
qualquer desarranjo existencial.
Evidente que os desapontamentos
magoam, mas a nossa atitude correta deve ser: esquecer e mirar o futuro. O
Senhor Deus é a peça-chave nesta engrenagem rumo à vitória sobre qualquer
descontentamento emotivo, pois Ele nos ajuda a corrigir os sentimentos, sarando
nossas emoções.
Reiterando: não escaparemos de
decepções, já que, infelizmente, esta situação já faz parte do mecanismo deste
mundo. Contudo, podemos ao menos amenizar os impactos deste mal. O cerne da mensagem
é demonstrar que, ao virarmos vítimas deste cenário insatisfatório, poderemos
tirar alguns aprendizados, sem antes esquecer que a maior lição é CONFIAR EM
DEUS, pois só Ele tem solução para tudo.
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Fonte: gramatica.net.br
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Reerguer-se
após ter passado por problemas ou situações difíceis.
Talvez eu esteja até errada; mais não espero nada de ninguém, o que eu tiver de fazer, eu faço, pq cada pessoa dá o que tem. Não existe perfeição agente mesmo um dia já decepcionamos alguém. Perfeito só um DEUS. E é nele que devemos confiar, em Jeremias 17.5-9 diz: maldito o homem que confia no homem e no decorrer do texto diz: mas bendito é o homem cuja confiança está no senhor... então nosso dever é não nós cansar de fazer o bem pq a palavra de Deus diz aquilo que o homem panta esse tbm colherá.
ResponderExcluirParabéns pelas palavras muito boa reflexão.
Sinceramente, não me imagino vivendo uma vida cheia de decepções.Faço minhas as palavras do Autor"aquilo que não me destrói me fortalece"e vamos nós seguindo em frente de cabeça erguida caminhando com o nosso Deus que nunca nos decepciona.O Senhor te abençoe sempre e continue sendo benção para seus leitores.
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