Existem
pessoas neste mundo, numa espécie de ufanismo psicológico, que possuem a
certeza de que estão inteiramente imunes a traumas ou feridas interiores e que
nunca sofrerão tais problemas em suas vidas. Grande engano, pois o único ser
que passou por este mundo e que era totalmente sadio e imunizado contra as
contrariedades foi Jesus de Nazaré. Ele, quando aqui habitou, era um Deus
humanizado e, mesmo na debilidade de um homem normal, foi resistente a
problemas psicológicos e físicos, tão inerentes à condição de simples pecadores
que somos. É bem importante afirmar que o Senhor em tudo foi tentado (Hebreus
4.15b) e, contudo, em nada prevaricou, face logicamente à sua capacidade divina.
Após
isolarmos Cristo de uma prostração inerente a abalos psicológicos, físicos ou
espirituais, passaremos a discorrer sobre um tema bem complexo e recorrente
neste mundo: traumas emocionais.
Por que
tal assunto é tão importante?
Por mais
que sejamos equilibrados em nosso comportamento, teremos insatisfações
emocionais na nossa caminhada existencial. Não estamos aqui para generalizar o
tamanho de um trauma, pois ele será diferente para cada um, nos seus efeitos.
São todas
as perturbações emocionais enormes ou desastrosas?
Claro que
não. Todavia, não devemos esconder que elas existem. Conhecemos indivíduos que
passaram por quase toda uma existência com um trauma encravado na alma e que,
infelizmente, tais feridas não foram tratadas, curadas e devidamente encerradas.
Desta forma, quer queiramos ou não, viveremos experiências traumáticas, sejam
elas pequenas ou de maior magnitude.
O que é
um trauma emocional?
Trauma é
um impacto ocasionado por choque moral ou emocional, capaz de causar uma
neurose. Também é um conjunto de distúrbios físicos ou psíquicos ocasionados
por uma violência exterior.
Este
problema pode se manifestar através de vários fatores, entre os quais
elencaremos alguns:
·
Injustiças recebidas.
·
Brigas familiares.
·
Complexos e frustrações na vida.
·
Fobias.
·
Prisões.
·
Perdas de entes queridos.
·
Violências sexuais.
·
Demissão do emprego.
·
Traições, etc.
Enfim,
a lista é extensa e pode não parar por aí. Poderíamos transportar para este
texto alguns exemplos existenciais, nas mais variadas formas. Todavia, restringiremos
aqui à vida de um personagem bíblico em especial: JOSÉ* (filho do patriarca Jacó).
José
teve tudo para ser um sujeito traumatizado e, como consequência, também ser
altamente revoltado. Ele foi maltratado e torturado no âmbito de sua própria
família. A síntese de sua história é a seguinte:
– José
era o filho preferido de Jacó e foi demasiadamente mimado pelo pai. Isso fez
com que os seus onze irmãos passassem a odiá-lo. E, depois de muitos
desentendimentos, esse ódio culminou em um plano para se livrarem dele. Então,
eles venderam José como escravo e ele foi levado para o Egito.
Os irmãos
sujaram a túnica dele de sangue e a levaram para o pai, dizendo que José tinha
sido morto por um animal selvagem. Após chegar ao Egito, José conseguiu um
trabalho junto a Potifar.** Entretanto, ele foi preso e condenado por
“assediar” a mulher de Potifar, o que não ocorreu, pois foi uma farsa elaborada
por essa mulher maligna. Ele acabou ficando mais de dois anos esquecido na
prisão, até que um dia foi retirado de lá pelo próprio Faraó para interpretar
um sonho, e daí terminou o seu suplício, tornando-se governador do Egito. O
plano de Deus começou a fazer sentido em sua vida.
Então,
como José procedeu para vencer os seus traumas?
1. ELE CONFIOU E OBEDECEU A DEUS:
Imaginamos o que passou na mente
de José quando uma série de contratempos começou a acontecer em sua vida.
Podemos conjecturar que, a princípio, ele possa não ter compreendido nada.
Porém, uma certeza temos: “Ele acreditava piamente no Senhor”. Até quando
interpretava os sonhos das pessoas, ele colocava tudo na conta divina (Gênesis
40:8). Ele sabia quem Deus realmente era. O Eterno agiu na vida de José e foi
por causa disso que ele venceu. O servo acreditou piamente em seu Senhor.
2. ELE EXERCEU O PERDÃO:
José discerniu a verdade de todas
as suas provações quando afirmou: "Não fiquem aflitos por terem me vendido
para ser conduzido para cá, pois foi para salvar as suas vidas que Deus me
enviou adiante de vocês" (Gênesis 45:5). Ele teve noção de que o Senhor
controlava cada parte do seu viver, mesmo nas maiores tempestades. José foi
capaz de perdoar todos os seus irmãos, bem como aqueles que o prejudicaram
fortemente. Ele assim procedeu porque o Senhor estava sobre sua vida.
O mal ficará sempre para quem o
pratica e não para quem o recebe, e William Shakespeare sabiamente reconheceu:
"Não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a
respeito".
3. ELE CUROU SUAS EMOÇÕES,
ESQUECENDO O PASSADO:
"O
segredo para se viver uma vida de excelência é meramente uma questão de manter
pensamentos de excelência. É uma questão de programar nossas mentes com o tipo
de informação que nos libertará" (Chuck Swindoll). Quando entregamos a
nossa existência ao comando divino, seremos libertos das dores e sofrimentos do
passado. Deus colocará em nosso coração a capacidade de esquecer aquilo que
tanto nos afligiu. Mesmo com os traumas sofridos, José não ficou traumatizado.
Não alimentou pena de si próprio, sentindo-se um coitadinho. A rejeição, a
traição e o abandono por parte de seus irmãos não se tornaram justificativas
para uma amargura pessoal. José foi curado e superou com fé a sua dor.
4. ELE
OBSERVOU QUE HAVIA UM PLANO DIVINO EM SUA VIDA:
Quando
o Senhor dá uma missão ao homem, Ele o capacitará com sua força para ter um bom
fim. Com José
não foi diferente, e, mesmo com um início de vida complicadíssimo, nunca
desacreditou do agir divino. Ele tinha experiências com Deus, e o Senhor
abençoava seu viver diante das areias movediças contrárias (Gênesis 39.21;
Gênesis 39.23). José sabia que Deus controlava cada parte da sua existência e,
no reencontro com os irmãos, declarou efusivamente: "Portanto, não foram
vocês que me mandaram para o Egito, mas foi Deus. Ele me pôs como o mais alto
ministro do rei" (Gênesis 45.8). Com todos os motivos para se desesperar,
ele confiou em Deus.
5. ELE LIDOU MUITO BEM COM SUAS
EMOÇÕES:
Como você lidaria com as
seguintes questões?
– Ser traído e abandonado pelos
irmãos;
– Ser acusado falsamente de
ofensa sexual;
– Ser inocente e trancafiado numa
prisão;
– Ser esquecido durante dois anos
por uma pessoa que você ajudou.
Conviver equilibradamente com
momentos ruins não é para qualquer um. Mas, com Deus ao nosso lado, teremos
condições de superar qualquer obstáculo.
José deixou o seu coração nas
mãos daquele que molda qualquer sentimento. Só o Senhor tira as ervas daninhas
do passado, que podem estragar a nossa caminhada. E José mostrou que não tinha
mais problemas nessa área, e quando escolheu os nomes de seus dois filhos,
demonstrou isso cabalmente, pois Manassés significava: "Deus me fez
esquecer todo o meu sofrimento e toda a casa de meu pai" e Efraim:
"Deus me fez crescer na terra da minha aflição" (Gênesis 41.52-53).
6. ELE ACREDITAVA NO BOM FUTURO:
José não
tinha a visão total de seu futuro; contudo, confiava plenamente na capacidade
divina. Como bem disse Winston Churchill: "É um erro querer ver muito
longe no futuro. Só podemos lidar com um elo da cadeia do destino de cada
vez".
Deus é
dono do ontem, hoje e amanhã e tem um futuro garantido para aqueles que Nele
acreditam.
As
decepções quando acreditamos em Deus podem ser vencidas. A prova é que José
tornou-se um homem próspero e um exemplo a ser imitado.
Estas
atitudes de José podem nos ajudar na guerra renhida contra os traumas.
Reconhecemos que uma existência não vem preestabelecida em um receituário, onde
basta fazer algo e tudo dará certo. Entretanto, o que nos cabe deve ser
efetivamente executado. A nossa mente é bastante complexa, e um emaranhado de
sentimentos contraditórios pode atrapalhar de sobremaneira nosso crescimento
material, psicológico ou espiritual. Temos que usar estrategicamente uma forma
analógica de "bateria antiaérea", que se chama JESUS CRISTO. Ele sabe
tratar como ninguém as feridas interiores que não foram cicatrizadas. O Senhor
conhece intimamente a vida de todos neste mundo. Ele sabe aquilo que machuca o
nosso ser, no mais recôndito*** da alma.
Com Ele ao nosso lado, teremos condições de aniquilar o trauma interior mais
temido. Todos devem pedir a Deus o livramento das amarras de um trauma que os
dominem e que venha impedir a concretização da vontade divina.
O Senhor
cura, e quando Jesus chega em nossas vidas, serão apagadas todas as lembranças
de algo que nos escravizava. Trauma pequeno ou grande não será nada perante o
Deus Eterno, pois Ele tem a chave que abre todas as comportas da alma. Mesmo
com a complexidade deste mundo, nascemos para vencer, e com a fé em Deus, Ele
prontamente limpará todos os medos que nos assaltam. Em Jesus, é possível viver
e superar crises, sem marcas permanentes da dor. Que nenhuma adversidade tenha
a capacidade de amargar a sua vida. Traumas nunca mais, para aquele que NASCEU
PARA SER LIVRE!
________________
*
A vida de
José está narrada no livro bíblico Gênesis do capítulo 37 até o 50.
** Oficial da corte egípcia e chefe
da guarda pessoa de Faraó. Era o amo de José por certo tempo, e, pelo visto, um
homem abastado. (Gênesis 37.36; 39.4).
*** Profundo, íntimo, escondido.
Sempre muito oportunas, abençoadas e forte as suas escritas.
ResponderExcluirOS TRAUMAS PODEM SER UM PERÍODO DE APRENDIZADO MAS PODEM SE TORNAR UMA GAIOLA FECHADA COM O CADEADO DO VITIMISMO....
ResponderExcluirAcredito que um trauma tem o poder de te travar, mas Jesus tem o poder de nos libertar, no entanto é necessário o reconhecimento, o que não é fácil para muitos!
ResponderExcluirQue tema ,em?Mais uma vez venho dar parabéns por escrever textos abençoados,leves e de fácil leitura.A paz do Senhor Jesus.
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